Robert Whitaker: resumo da sua apresentação no Seminário Internacional a Epidemia das Drogas Psiquiátricas: Causas, Danos e Alternativas

Resumo (abstract) da apresentação de Robert Whitaker

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robert-whitakerMais uma vez eu tenho a oportunidade de estar no Brasil. Desta vez para participar do Seminário Internacional A Epidemia das Drogas Psiquiátricas: Causas, Danos e Alternativas. Ao lado de colegas como Jaakko Seikkula, Laura Delano, convidados argentinos, uruguaios, e de vários atores importantes brasileiros, as minhas expectativas é que todos contribuamos para que mudanças paradigmáticas na assistência em saúde mental venham a ocorrer. Eis aí o resumo da minha apresentação.

Em 1980, a American Psychiatric Association (APA) adotou um “modelo de doença” para categorizar transtornos mentais, e esse modelo foi exportado para o Brasil e para grande parte do mundo. O público passou a ser ensinado que depressão, ansiedade, TDAH e esquizofrenia eram doenças do cérebro, causadas por desequilíbrios químicos, e que uma nova geração de drogas psiquiátricas havia sido desenvolvida que corrigia esses desequilíbrios químicos no cérebro.

Essa história passou a ser contada como um notável avanço científico. As causas dos transtornos mentais finalmente passaram a ser conhecidas, e que vinham sendo descobertas drogas que poderiam resolver esses problemas biológicos. E com o público informado com essa história, a prescrição de drogas psiquiátricas, para todas as idades, aumentou dramaticamente.

No entanto, de país a outro país, o aumento do diagnóstico de distúrbios e o aumento do uso de drogas psiquiátricas não levaram a uma redução do ‘fardo’ da doença mental, mas sim ao seu aumento dramático. O número de pessoas “incapacitadas” por transtornos mentais e, portanto, incapaz de trabalhar, aumentou quatro vezes nos Estados Unidos nos últimos 30 anos, e esse aumento na ‘incapacidade’ tem sido observado em muitos outros países que adotaram esse mesmo paradigma de assistência.

Uma revisão da literatura científica revela o por quê. Embora os medicamentos psiquiátricos possam aliviar os sintomas no curto prazo (melhor que o placebo), a longo prazo aumentam o risco de uma pessoa se tornar cronicamente doente e prejudicada funcionalmente. A literatura de pesquisa argumenta por uma necessidade de se repensar profundamente o uso de drogas psiquiátricas, com o pensamento de que elas precisam ser usadas com muito mais cautela, e que devem ser criados modos alternativos de tratamento.

O papel do Brasil é muito relevante para que esse processo tenha êxito global, levando em consideração as suas conquistas na ‘reforma psiquiátrica’.

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SEMINÁRIO INTERNACIONAL

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