Mergulho em um Caso de Memória Reprimida ou Manipulada

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Matéria publicada no The Guardian nesta semana. Trata-se do caso de Nicole Kluemper, um dos casos mais controversos na psicologia moderna: a memória (ou suposta memória) de haver sido abusada por sua mãe quando tinha quatro anos de idade.

O casamento de seus pais havia se quebrado em meses após o seu nascimento. Mas o divórcio de seus pais foi brutal e longo, com a batalha pela custódia que se prolongava ao longo dos anos. Em 1984, para criar provas para audiências judiciais, um psiquiatra chamado David Corwin filmou entrevistas com Kluemper. Ela tinha 6 anos de idade. E ela diz que sua mãe abusava sexualmente dela. Como consequência, seu pai ganhou na justiça a guarda de sua filha, a Nicole.

O vídeo passa a ser material de ensino para a carreira do psiquiatra que a entrevistou:  David Corwin. “Mais um caso de abuso de uma criança.” O que se sabe que infelizmente é que ocorre com uma frequência nada pouco significativa. Independente do gênero dos pais.

A pesquisadora Elizabeth Lotus, em seu doutorado, em Stanford University,havia se  debruçado sobre a problemática da ‘memória’ de eventos passados, com particular atenção ao que vinha ocorrendo nos Estados Unidos, em que  ‘memórias falsas’ haviam condenado equivocadamente pais por supostos abusos sexuais. Elizabeth entrevistará a Nicole e passa a usar o seu caso como ‘falsa memória’.  O que impactará a vida de Nicole, evidentemente.

E o que será da Nicole desde de então?  Nicole construiu a sua identidade tendo esse componente básico: sua mãe abusou sexualmente dela.  E se esse significante-mestre, como diria Lacan, não passa então de ser imaginário?

Eis aí um interessante problema para quem trabalha (ou se interessa) pelo campo da construção da subjetividade e o papel dos profissionais de saúde mental. A construção da ‘narrativa de vida’.  Algo de uma enorme complexidade, que evidentemente não admite simplificações.

Eis ái o artigo na íntegra.

Artigo ⇒

 Nicole Kluemper. Photograph: Steve Schofield for the Guardian
Nicole Kluemper. Photograph: Steve Schofield for the Guardian

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