Decisões Difíceis com os Antidepressivos

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Neste curto texto para Research with Plymouth University, Richard Byng discute a dificuldade que tanto os médicos quanto os pacientes experimentam para discernir a eficácia dos antidepressivos em cada caso particular e tomar decisões sobre iniciar ou continuar com antidepressivos. Ele defende uma abordagem centrada na pessoa para desvendar a evidência.

“Como clínico, eu comecei a ser mais honesto sobre a evidência, explicando que ‘enquanto a maioria das pessoas melhora ao tomar antidepressivos, não saberemos se, quando você está melhor, isso é devido ao placebo, a outras coisas positivas que você está tendo, ao processo natural de mudanças de humor ou, o que é menos provável, ou a um efeito positivo da droga’ Eu sei que assim estou reduzindo a resposta do placebo, não apenas pelos benefícios de ser mais honesto comigo mesmo e com o paciente, mas porque agora compartilho as sérias preocupações de Gotzsche com os danos a longo prazo. Agindo assim é uma conversa muito mais difícil e que deve ser feita com sensibilidade, compaixão e, se possível, com algumas soluções alternativas.

“Talvez o que seja mais bizarro é que, como médicos, achamos difícil acreditar que os produtos químicos que são projetados para entrar no cérebro e afetar a função de sinapse possam ter o potencial de causar danos, se infundidos continuamente durante meses ou anos. Inicialmente, eles causam um desequilíbrio químico que pode levar a se sentir bem ou mal (ou mais frequentemente neutro), o cérebro então reage para compensar e criar um novo estado estável (se sentir melhor ou pior); parar significa que essa transição entra em algum tipo de reversão (às vezes com efeitos colaterais), enquanto que continuar parece resultar em algum tipo de mudanças estruturais neuronais, cujos benefícios ou danos são incertos.

“Eu costumo colocar os efeitos físicos e psicológicos significativos relatados por pacientes enquanto efeitos colaterais de drogas reais. Minha lógica complicada então pensa que, se há algumas pessoas que pioram, provavelmente há algumas pessoas que se beneficiam significativamente no curto prazo (equilibrando-se como uma melhoria média líquida que é marginal). Isso nos leva de volta ao dilema de se o paciente que está melhor realmente se beneficiou da droga. Não é tão ruim quanto encontrar uma agulha no palheiro, mas não devemos simplesmente interpretar as melhorias como sendo reduzidas à medicação. Muito ao contrário. Mas se o efeito médio nos ensaios de curto prazo for ligeiramente positivo, será que por isso devemos simplesmente seguir prescrevendo? As diretrizes oficiais sugerem que devemos. Quando os pacientes estão bastante claros dos benefícios adquiridos, particularmente quando sustentados ou repetidos, e nada mais bom aconteceu em suas vidas, o que poderia tê-lo ajudado, eu tenho mais chances para acreditar que a droga tenha de fato algum efeito positivo e para continuar prescrevendo. Sem uma evidência temporal clara de benefício, agora me preocupo muito com continuar a prescrever; mas normalmente continuarei se o paciente solicitar, apesar de compartilhar com ele as minhas preocupações”.

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