O Papel da Arte e da Militância na vida de Usuários de Saúde Mental

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CAMILAOs pesquisadores Clarice M. Portugal, Martin Mezza e Monica Nunes, todos do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, publicaram o recente artigo A clínica entre parênteses: reflexões sobre o papel da arte e da militância na vida dos usuários de saúde mental, publicado na revista Physis.

O artigo se propõe a discutir os efeitos transformadores no dia a dia de usuários inseridos em uma associação de usuários e familiares de saúde mental e de um grupo teatral do município de Salvador, Bahia. Foram escolhidas três estratégias para a escolha dos casos a serem acompanhados:

  1. Entrada em instituições da rede de atenção psicossocial;
  2. Consulta a associações de usuários de saúde mental, de moradores de rua e a líderes locais e religiosos;
  3. Observação participante em comunidades de estudo.cartazes

A metodologia utilizada foi a etnografia nos moldes da Antropologia implicada. A elaboração desta pesquisa incluiu ainda a entrevista não estruturada, a observação participante, assim como o registro de observações, episódios, acontecimentos e relatos intrínsecos à experiência em diários de campo.

Os pesquisadores avaliaram que, apesar das profundas diferenças entre os dois grupos, enquanto seus objetivos e seu funcionamento, perceberam quem em ambos ocorrem construções de identidades, de relações empáticas e de reconhecimento, de alteridade, assim como elementos simbólicos e experienciais intimamente ligados à performance.

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Encontro dos CAPs regionais em ibipora
ft – anderson coelho / folha de londrina – data: 28/05/2017

A participação em um grupo, permite aos seus membros o compartilhamento de uma experiência muito própria de estar-no-mundo, e permite que se experimentem enquanto sujeitos e enquanto grupo ao mesmo tempo.

“Tornar-se um ator ou militante no contexto da luta antimanicomial no Brasil, de certa forma diz respeito a uma (re) inserção cultural e social, cujas transformações repercutem na vida desses sujeitos para além desse nicho. ”

Dessa forma, as experiências desses usuários em grupos políticos ou artísticos, possibilita a eles uma experiência de descontinuidade com a subjetividade de doente mental, colocando a clínica entre parênteses. Os pesquisadores ressaltam que apesar do viés terapêutico dessas atividades, deve-se tomar cuidado com o risco de tudo ser fagocitado em nome da clínica, enquanto situações da vida, como o teatro e a militância, podem ser benéficos, sem a necessidade de serem medicalizados ou incorporados pelo discurso da saúde.

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PORTUGAL, Clarice Moreira; MEZZA, Martin; NUNES, Monica. A clínica entre parênteses: reflexões sobre o papel da arte e da militância na vida de usuários de saúde mental*. Physis,  Rio de Janeiro ,  v. 28, n. 2,  e280211, 2018 (LINK).

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