Pesquisa Mapeia como a Pandemia Afetou os Brasileiros

Pesquisa realizada pela Fiocruz, conjuntamente com UFMG e UNICAMP, mapeou como a pandemia afetou a saúde física e mental dos brasileiros.

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A Fiocruz mapeou como a pandemia vem afetando a vida dos brasileiros. Considerando estudos realizados em diferentes países atingidos pela pandemia do COVID-19, o atual contexto traz consigo a perda de liberdade, incerteza sobre a doença, mudanças na rotina, perdas financeiras, gerando angústia, estresse e sofrimento às pessoas. Alguns desses estudos já foram mostrados pelo Mad in Brasil.

A pesquisa foi uma parceria entre Fiocruz, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e teve como objetivo verificar como a pandemia afetou ou mudou a vida das pessoas, e assim, poder orientar as ações de saúde, minimizando os efeitos adversos decorrentes das medidas de isolamento social.

Foi utilizado um questionário virtual. Para a sua elaboração foi utilizado o aplicativo RedCap (Research Eletronic Data Capture), uma plataforma para coleta, gerenciamento e disseminação de dados de pesquisas. As informações são coletadas diretamente pela internet e armazenadas no servidor do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (ICICT/FIOCRUZ). A primeira etapa contou com 40.000 pessoas de diferentes lugares do Brasil, obedecendo a estratificação por sexo, faixa etária e nível de escolaridade.

O questionário contém perguntas sobre o isolamento social, infecção pelo novo Coronavírus, impactos socioeconômicos, atividades de rotina e trabalho, cuidados com idosos, efeitos no estado de saúde, acesso aos serviços de saúde, estado de ânimo e comportamentos saudáveis.

Em relação ao estado de ânimo, 40% das pessoas relataram sentir-se tristes ou deprimidas nas primeiras semanas da quarentena. Enquanto 54% relataram se sentirem ansiosas ou nervosas frequentemente. Chama a atenção que na faixa dos 18 aos 29 anos, esses percentuais foram ainda maiores, chegando a 54% de tristes e deprimidos e 70% ansiosos ou nervosos.

Enquanto ao gênero, as mulheres relataram maior mudança no estado de ânimo do que os homens, 50% delas sentiram-se tristes ou deprimidas durante a pandemia, enquanto 30% dos homens relataram o mesmo. Além disso, 60% das mulheres relataram estarem ansiosas/nervosas, contra 43% dos homens.

Também constatou-se que a maior das pessoas tiveram queda na renda familiar, alcançando o índice de 55% das pessoas. Enquanto 7% ficou sem rendimento. Aqueles que ganhavam menos de meio salário mínimo sofreram mais prejuízos, 64% delas perderam a renda e 11% ficaram sem renda alguma. Além disso, 58% dos autônomos disseram ter ficado sem trabalho.

O sedentarismo também aumentou, 46% dos entrevistados relataram que interromperam os exercícios, quando antes da pandemia, realizavam exercícios cerca de cinco dias ou mais por semana. Enquanto isso, o tempo em frente à tv, computador ou tablet aumentou em uma hora e meia. Entre fumantes, 23% relataram o aumento de 10 cigarros por dia e 5% aumentou mais de 20 cigarros ao dia.

A alimentação também sofreu variação durante a pandemia, o consumo de alimentos saudáveis diminuiu e aumentou o consumo de chocolates e doces, principalmente entre adultos jovens. Quanto as bebidas alcoólicas, 18% da população relatou aumento no consumo, sendo maior o índice entre adultos de 30-39 anos. O maior consumo foi associado à frequência em sentir-se triste ou deprimido.

A pesquisa selecionou uma amostra bem ampla e variada da população brasileira e constatou efeitos da pandemia sobre a saúde física e mental das pessoas, que já vinham sendo apontados por outras pesquisas. Com esses resultados, cabe agora pensar em como amenizar os efeitos negativos e projetar possibilidades futuras para o pós-pandemia, já pensando nas possíveis consequências à longo-prazo.

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Para ler a pesquisa completa → (Link)