População Argentina Relata suas Emoções e Reflexões na Pandemia

Pesquisa relata como a população argentina reagiu ao isolamento social no contexto de pandemia.

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Na Argentina, o primeiro caso confirmado de Coronavírus foi 05 de março de 2020, desde então os números de pessoas contagiadas começaram a subir rapidamente, exigindo a implementação de medidas para evitar novos contágios. O isolamento social obrigatório foi a medida com maior impacto social.

A pesquisa publicada na revista Ciência & Saúde Coletiva, foi realizada através de um estudo transversal implementado na Argentina, seguindo a proposta do estudo “COVID-19 Snapshot MOnitoring (COSMO):Monitoring knowledge, risk perceptions, preventive behaviours, and public trust in the current coronavirus outbreak”, elaborado pela Oficina Regional Europeia da OMS.

Os dados foram recolhidos por um questionário elaborado por tal estudo, e adaptado ao contexto argentino. O questionário ficou disponível na plataforma Google Forms e foi realizada em duas etapas, a primeira etapa alcançou 922 pessoas, enquanto a segunda etapa contou com 418 pessoas.

Em relação aos sentimentos da população diante da pandemia, se destacou a incerteza, o medo e a angustia, sentimentos relatados, principalmente, por mulheres. A incerteza se baseia no contexto incerto no qual estamos vivendo, a qual não permite o planejamento futuro, e levando a outros sentimentos como impotência, resignação, desconcerto e falta de controle da situação. A incerteza também foi vinculada as consequências sociais e econômicas do isolamento, como a queda da economia.

Além disso, os entrevistados foram questionados sobre as possíveis consequências positivas da pandemia para a sociedade. As respostas foram: valorização da interdependência, a oportunidade de reflexão, valorização do meio ambiente, valorização do Estados e das instituições, valorização dos afetos e a revisão do sistema socioeconômico e político.

“Que as pessoas se conscientizem sobre a importância de um Estado presente e a inversão em saúde, ciência e educação.” (mulher, 40 anos)

Como conclusão, o estudo adverte o impacto na saúde mental das pessoas manifestado em sentimentos como medo, incerteza e angustia, próprios de um sentido de ruptura com o cotidiano e perda de previsibilidade, especialmente presente no isolamento social. Mas também, demonstrou  aspectos avaliados como positivos para a sociedade.

O artigo aponta para a necessidade de desenhar estratégias para a diminuição do sentimento de incerteza, considerando as desigualdades sociais e o gênero. Por outro lado, a solidariedade, a consciência social e a empatia geradas a partir da pandemia, podem ser valores que contribuam para a aceitação e o cumprimento das medidas de prevenção, reduzindo o impacto na saúde mental.

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JOHNSON, María Cecilia; SALETTI-CUESTA, Lorena; TUMAS, Natalia. Emociones, preocupaciones y reflexiones frente a la pandemia del COVID-19 en Argentina. Ciênc. saúde coletiva,  Rio de Janeiro ,  v. 25, supl. 1, p. 2447-2456,  June  2020 . (Link)