Revista del Observatorio Uurguayo de Derechos Humanos y Salud Mental

Publicação da Universidad de la República del Uruguay

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REVISTA DEL OBSERVATORIO URUGUAYO DE DERECHOS HUMANOS Y SALUD MENTAL, Universidad de la Republica Uruguy.  Neste primeiro número, há vários artigos mostrando iniciativas exemplares da luta antimanicomial e a criação de observatórios, do Uruguai, da América Latina e Caribe e futuramente no Brasil.

Destacamos aqui um trecho da entrevista com o Dr. Paulo Amarante. Respondendo à pergunta “Que desafios regionais podemos destacar em relação à reforma?, Paulo Amarante diz:

“Os desafios são principalmente no sentido político em geral, porque quando falamos de saúde mental, comportamento, subjetividade, não podemos falar apenas de questões científicas. Há sempre uma simultaneidade de fatores, que são culturais, políticos, ideológicos; não há como falar de saúde mental de uma forma abstrata, genericamente, não podemos falar de saúde mental na América Latina; há muitos povos, muitas culturas, muitas nações, muitas línguas. Um desafio é não conduzir os processos de mudança apenas com critérios científicos; a ciência é importante, mas no campo social as ciências humanas não têm a mesma organização quantitativa e mensurável que as ciências duras. Isto é muito importante, a reforma tem de ter uma relação epistemológico-científico-político, este é o grande desafio, para se construir uma posição crítica. Outro desafio está relacionado com a transcendência das disputas de poder entre corporações, organizações de profissões que lutam para legitimar os seus conhecimentos sobre os de outros, psiquiatras, psicólogos, psicanalistas, etc. Outro desafio está relacionado com interesses comerciais, os proprietários de clínicas privadas, da indústria farmacêutica, de tratamentos de alto custo. A sua influência no desenvolvimento do conhecimento, no financiamento de investigação, congressos, publicações, etc., é também um desafio.”

“Sublinho a importância dos observatórios, a criação do Observatório da Rede da América Latina e do Caribe; o do Uruguai, no Brasil estamos também criando um, estabelecendo uma rede de observatórios latino-americanos, a importância de registar, visualizar o que está acontecendo: quantas camas estão funcionando, duração da estadia, capacidade de ambulatório. Precisamos de mapear as novas instalações, identificar os problemas que temos. Uma ferramenta para mapear o que está a acontecer, não só nos dá ferramentas para a gestão, orientação, planejamento, mas também para identificar questões que vale a pena replicar, multiplicar, e para identificar os problemas que temos.”

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