*Texto e material enviado pelo Grupo de Gestão Autônoma do Cuidado (GAC).
A desmedicalização e despatologização do cuidado e da vida são favorecidas pela ampliação da autonomia coletiva e capacidade de cuidado através do pertencimento a uma rede afetiva. Nas práticas de Gestão Autônoma do Cuidado – GAC[1] criamos espaços coletivos de cuidado livre de controle e subordinação à autoridade profissional e institucional, em que os modos de ser e as experiências das pessoas em cuidado e cuidadoras, profissionais ou não, possam ser respeitadas assim como são, sem julgamento. Buscamos em cada local, constituir uma rede de compartilhamento de cuidado, de experiências, arte e cultura e redução de danos na vida, inclusive em relação ao uso de medicamentos.

Começamos a experimentar o guia GAM[2] e logo fomos diversificando nossas práticas em serviços de saúde mental adulto e infantojuvenil, de cuidado em álcool e outras drogas, em unidades básicas de saúde e de saúde da família, deambulatórios[3], unidades de acolhimento adulto, em ações comunitárias e constituímos uma Rede de Apoio e Compartilhamento de Práticas[4] com a participação de pessoas de mais de oitenta instituições de saúde e ensino em sete estados do Brasil. De 2021 a 2026 a partir destas experiências que envolveram mais de mil pessoas em cuidado, duzentas e cinquenta profissionais e duzentos acadêmicos e residentes, em grupos e fóruns presenciais e online, criamos o guia da Gestão Autônoma do Cuidado – GAC que incorpora questões relevantes para o cuidado com a saúde integral como relações raciais, de gênero, redução danos, arte-cultura e comunidade, cuidados tradicionais, espiritualidade e muitas outras questões pertinentes à saúde das pessoas em nosso país.
Estas questões foram reunidas em quatro cadernos: “Convite para o cuidado integral e compartilhado em saúde coletiva”; “Convite ao cuidado compartilhado e redução de danos em álcool e outras drogas”; “Convite ao cuidado compartilhado em saúde mental infantojuvenil”; “Convite ao cuidado compartilhado com pessoas LGBTQIAPN+”. Estes quatro cadernos compõem o guia GAC agora disponibilizados no site Mad in Brasil.
A Gestão Autônoma do Cuidado se propõe a criar espaços, grupos e ações coletivas em que as pessoas participantes se reconheçam como interlocutores legítimos capazes de estar em relação de lateralidade, lado a lado, desmontando uma lógica de cuidado centrada na referência técnica profissional, em relações de tutela, capacitismo, proibicionismo, racismo, machismo, adultocentrismo e colonização do cuidado. Nestes dispositivos se desloca a centralidade do uso de medicamentos e se rompe o isolamento ao lidar com a prescrição e a desprescrição.
Este não é bem um guia, mas um instrumento de facilitação composto por perguntas para compartilhamento em grupo. Os quatro cadernos têm em comum transversalmente o tema da arte cultura saúde e comunidade e dicas de facilitação. É resultado de pesquisas que envolveram o Programa INOVA Fiocruz, o Instituto de Saúde Coletiva da UFF e a Faculdade de Saúde Pública da USP.
Paara acessar os quatro cadernos → Clique Aqui

[1] Contato pelo email: [email protected]
[2] Gestão Autônoma da Medicação – GAM é um guia canadense para retirada de medicação psiquiátrica traduzido e adaptado no Brasil em 2008 para ampliação de autonomia coletiva em saúde mental.
[3] Deambulatório é uma equipe multiprofissional e territorial da Rede de Atenção Psicossocial do Rio de Janeiro para o cuidado compartilhado com a Atenção Primária.
[4] Compartilhamento de práticas e experiências com a GAM – PROEX UFF. Disponível no canal https://www.youtube.com/@gestaoautonomadamedicacao9334/streams
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Mad in Brasil hospeda blogs de um grupo diversificado de escritores. Essas postagens são projetadas para servir como um fórum público para uma discussão – em termos gerais – da psiquiatria, saúde mental e seus tratamentos. As opiniões expressas são próprias dos escritores.







