Psicoterapia química ou psicológica?

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Todos os tratamentos de transtornos mentais têm a tendência a alterar alguma coisa no cérebro. Por isso é que o psiquiatra infantil Sami Timimi sugeriu que nós chamemos psicoterapia a todos os tratamentos, incluindo o tratamento químico. Os tratamentos psicológicos visam mudar um cérebro, que não funciona normalmente, para que ele volte ao normal (veja a figura abaixo).

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A psicoterapia química é o que nós usualmente chamamos de drogas psiquiátricas. Elas igualmente produzem mudanças no cérebro, mas não trazem o cérebro para o normal. Ao contrário disso, as drogas psiquiátricas criam um terceiro estado artificial, que nem é normal e nem é o estado doentio que levou o sujeito a ser paciente. O que cria muitos problemas. Acima de tudo, leva a um final que é o inesperado, porque não se pode a partir desse estado artificialmente induzido voltar ao normal. Em suma: não há drogas psiquiátricas que sejam capazes de levar ao normal. Seus efeitos são muito inespecíficos.

A psicoterapia psicológica visa fortalecer as funções normais do cérebro, logo criando tantas reações normais quanto for o possível, para que a pessoa possa melhor lidar com os desafios que a vida lhe oferece. Muitos dos transtornos mentais envolvem o paciente respondendo a traumas e a mudanças emocionais; e, por isso mesmo, é que faz sentido ensinar o paciente a pensar e a reagir mais apropriadamente. Também faz muito sentido mudar o meio ambiente do paciente; porém isso é com frequência negligenciado.

As drogas psiquiátricas incapacitam um conjunto importante das funções do cérebro e podem levar a uma perda do interesse na vida em geral (apatia), a um afastamento das relações sociais, à falta de empatia e de cuidados para consigo próprio e para com os outros, e, o pior ainda, a um embotamento emocional. A empatia nos ajuda a reconhecer o sofrimento que infringimos aos outros, e assim a empatia nos ajuda a conter os nossos impulsos.[1] A redução da empatia é um dos mecanismos através do qual as drogas psiquiátricas podem causar o suicídio e a violência, e, na pior das hipóteses, o homicídio.

As drogas psiquiátricas podem levar à perda de importantes funções humanas que estão associadas com a motivação, criatividade e o amor. Esses efeitos tóxicos da droga nas funções cerebrais superiores são com frequência interpretadas como uma “melhora” (o paciente está aparentemente menos perturbado ou passa a menos incomodar a equipe de profissionais de saúde, a família e os amigos).[2]  Mas tais efeitos com o tratamento psicofarmacológico são de fato uma expressão de dano causado no cérebro.

O uso prolongado de drogas psicotrópicas pode causar permanentes danos no cérebro, o que pode tornar impossível para o paciente conseguir retornar ao normal, assim como pode ser a causa do retorno ao estado doentio original que o havia levado a buscar por psicoterapia, anulando as mudanças ambientais que poderiam ter um bom efeito.

O eletrochoque funciona da mesma maneira, quer dizer, danificando o cérebro, e os danos com frequência são para a vida inteira, especialmente na forma de perda da memória.[3]

Não há dúvida alguma que em todos os países onde isso foi estudado, o aumento do consumo de drogas psicotrópicas tem sido acompanhado pelo aumento do número de pessoas recebendo pensões por incapacidade.[4]

Um outro exemplo do que fazemos erradamente é o gigantesco consumo de antidepressivos. Os antidepressivos aumentam o risco de suicídio, não apenas em crianças e adolescentes, o que já é sabido há muitos anos, mas também nas pessoas idosas.[5] A psicoterapia reduz o risco de suicídio.[6] Essa é uma das várias razões para que os pacientes com depressão devam ser tratados com psicoterapia psicológica e não com psicoterapia química.[7]

Referências Bibliográficas:

[1] Breggin P. Como as drogas psiquiátricas realmente funcionam. 01 Fev 2017.

[2] Breggin P. Como as drogas psiquiátricas realmente funcionam. 01 Fev 2017.

[3] Gøtzsche PC. Deadly psychiatry and organised denial. Copenhagen: People’s Press; 2015.

[4] Gøtzsche PC. Antidepressants increase the risk of suicide and violence at all ages. 16 Nov 2016. https://www.madinamerica.com/2016/11/antidepressants-increase-risk-suicide-violence-ages/

[5] Gøtzsche PC. Antidepressants increase the risk of suicide and violence at all ages. 16 Nov 2016. https://www.madinamerica.com/2016/11/antidepressants-increase-risk-suicide-violence-ages/.

[6] Hawton K, Witt KG, Taylor Salisbury TL, et al. Psychosocial interventions for self-harm in adults. Cochrane Database Syst Rev 2016;5:CD012189.

[7] Gøtzsche PC. Antidepressants increase the risk of suicide and violence at all ages. 16 Nov 2016. https://www.madinamerica.com/2016/11/antidepressants-increase-risk-suicide-violence-ages/.

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