Uso inseguro da droga do sono Zolpidem é comum

Três entre quatro usuários do sedativo, o zolpidem (nome comercial Ambien), não seguem as recomendações da FDA para reduzir o risco

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spetersUm novo estudo, publicado no JAMA Internal Medicine, investiga os padrões de uso do zolpidem (o nome comercial é Ambien) em adultos. O artigo é escrito por Thomas Moore, que é cientista sênior do Institute for Safe Medication Practices, e por Donald Mattison, diretor médico chefe e vice-presidente sênior da Risk Sciences International. Os resultados do estudo indicam que mais de três quartos dos usuários de zolpidem não estão seguindo as recomendações da agência reguladora FDA para reduzir os riscos de efeitos colaterais e dependência a drogas.

“Esses dados mostram que o uso seguro ideal do zolpidem é pouco comum. Embora a eficácia diminua substancialmente após 14 dias de administração contínua, a maioria dos pacientes com zolpidem relatou uso prolongado, com um risco aumentado de dependência, visto que o zolpidem é uma substância controlada de classe IV ”, escrevem os autores.

Photo Credit: Ambien 10mg- Wikimedia Commons
Photo Credit: Ambien 10mg- Wikimedia Commons

Em 2013, o zolpidem, um sedativo frequentemente usado para dormir, foi o medicamento hipnótico prescrito mais comumente usado nos EUA. Dado o uso disseminado da droga, seus efeitos adversos e riscos são importantes para serem enfrentados. A agência reguladora FDA fez três recomendações ao se tomar zolpidem, para que seja reduzido o risco de comprometimento no próximo dia relacionado com mudanças de comportamento e igualmente à dependência a drogas: (1) usar a droga apenas em curto prazo, porque o seu uso a longo prazo resulta em perda da eficácia; usar em doses baixas (5mg) para mulheres e pessoas com 65 anos ou mais, devido a mais elevadas concentrações sanguíneas, e (3) limitar a sua combinação com outras drogas que deprimem o sistema nervoso central (SNC).

Os pesquisadores do presente estudo procuraram comparar os padrões de uso do zolpidem na população adulta dos EUA com as recomendações da FDA. Para estimar os padrões nacionais de prescrição, eles usaram dados da Pesquisa do Painel de Gastos Médicos dos EUA em 2015, com uma amostra de 35.427 pessoas.

Os resultados sugerem que 3,8 milhões de adultos nos EUA tiveram pelo menos uma prescrição de zolpidem em 2015. As mulheres são quase duas vezes mais propensas que os homens a tomar zolpidem. Sessenta e quatro por cento dos adultos com 65 anos ou mais e 68% das mulheres estavam tomando doses mais altas de zolpidem, apesar das recomendações da FDA contra isso. Além disso, 68% dos pacientes que tomaram zolpidem utilizaram a droga por mais de 60 dias (mediana = 192 dias). Entre os que tomaram zolpidem por um período sustentado, 41% estavam também a tomar outro fármaco depressor do SNC (26% do zolpidem combinado com um opiáceo).

Os pesquisadores resumem: “No geral, 77,4% (95% CI, 70,5% -84,3%) não estavam observando duas ou mais recomendações para reduzir o risco”.

Esses achados são especialmente preocupantes, pois o uso de zolpidem resulta em mais visitas às emergências, devido a efeitos adversos, do que qualquer outro medicamento psicotrópico. Os resultados também sugerem que as mulheres estão em maior risco de efeitos adversos, devido às suas maiores taxas de uso de zolpidem e também porque os corpos das mulheres levam mais tempo para limpar o medicamento do sistema, resultando em concentrações sanguíneas 45% maiores. Os pesquisadores pedem mais esforços para reduzir os riscos de uso do zolpidem. Eles concluem:

“Este estudo do zolpidem mostra que há muitas oportunidades para reduzir os riscos de comprometimento no dia seguinte, mudanças anormais de comportamento e dependência”.

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Moore, T. J., & Mattison, D. R. (2018). Assessment of patterns of potentially unsafe use of zolpidem. JAMA Internal Medicine. Advance online publication. doi:10.1001/jamainternmed.2018.3031 (Link)

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NOTA DO MAD IN BRASIL

Na literatura científica brasileira:

  • Sukys-Claudino, L., Santos Moraes, W. A., Tufik, S.,Poyares, D. (2010). Novos Sedativos Hipnóticos. ‘Novos Sedativos Hipnóticos’. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.32, 3, set2010, p. 288-293. Disponível clicando → aqui.
  • POYARES, Dalva; PINTO JR, Luciano Ribeiro; TAVARES, Stella  and  BARROS-VIEIRA, Sergio. Hipnoindutores e insônia. Rev. Bras. Psiquiatr. 2005, vol.27, suppl.1, pp.2-7. Disponível clicando → aqui.

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