Como se livrar dos Antidepressivos: muito lentamente, os médicos dizem

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Publicado no The New York Times, em 6/3/19matéria do jornalista Benedict Carey. Reunindo evidências sólidas, dois psiquiatras acabam de publicar um artigo em The Lancet denunciando as diretrizes padrão empregadas pela Psiquiatria para ‘desmamar’ os pacientes dos medicamentos para a depressão (os chamados antidepressivos).

“Milhares, talvez milhões, de pessoas que tentam abandonar drogas antidepressivas experimentam sintomas pungentes de abstinência que duram meses a anos: insônia, surtos de ansiedade, até mesmo os chamados zaps cerebrais, sensações de choque elétrico no cérebro.

 Mas os médicos têm descartado ou minimizado tais sintomas, frequentemente atribuindo-os à recorrência de subjacentes problemas de humor. “

Os pacientes que gradualmente reduziram sua dose diária de antidepressivos ao longo do tempo, após anos de uso, tiveram menor probabilidade de apresentar sintomas de abstinência.CreditCreditJoe Raedle / Getty Images

O procedimento padrão empregado pelos médicos é o de considerar que os sintomas apresentados pelos usuários de antidepressivos não sejam ‘sintomas de abstinência’, mas que sejam sintomas do próprio “transtorno psiquiátrico” para ao qual a droga foi prescrita.

“O impressionante contraste entre a experiência dos pacientes e o julgamento de seus médicos tem provocado um debate acalorado na Grã-Bretanha, onde no ano passado o presidente do Royal College of Psychiatrists negou publicamente as alegações de duradouros problemas de abstinência para a ‘grande maioria dos pacientes’.

Grupos de defesa dos pacientes exigiram uma retratação pública; psiquiatras, nos Estados Unidos e no exterior, vieram em defesa do Royal College. Agora, uma dupla de proeminentes psiquiatras britânicos quebrou as barreiras de defesa, chamando a posição defendida pelo establishment como sendo muito equivocada e o conselho padrão sobre o ‘desmame’ como totalmente inadequado.”

Os autores argumentam em seu artigo que qualquer regime de abstinência que seja responsável deve fazer com que o paciente reduza a medicação ao longo de meses ou até de anos, dependendo do indivíduo, e não em quatro semanas, conforme é o conselho padrão.

Um fato importante: Dr. Horowitz e seu co-autor, Dr. David Taylor, professor de psicofarmacologia no King’s College e membro do South London e Maudsley N.H.S. Foundation Trust, decidiram abordar o tópico em parte por causa de suas próprias experiências com medicamentos.  Eles experimentaram na pele os ‘sintomas de abstinência’ ao fazerem uso das diretrizes oficiais para o ‘desmame’. Horowitz disse que ele teve sintomas graves de abstinência depois de 15 anos de uso de antidepressivos. O Dr. Taylor já havia escrito anteriormente sobre suas próprias lutas tentando diminuir a medicação.

A matéria do NYT é concluída fazendo referência a Laura Delano, já conhecida por nós, tendo estado conosco no I e II Seminário Internacional A Epidemia das Drogas Psiquiátricas, realizados na ENSP/FIOCRUZ.

“Laura Delano, diretora executiva da Inner Compass Initiative, uma organização sem fins lucrativos que administra o The Withdrawal Project e se concentra em ajudar as pessoas a aprender sobre o uso de drogas psiquiátricas de formas mais seguras, disse: ‘Eu não sabia sobre os benefícios da redução lenta quando saí de cinco remédios em cinco meses, e tive um momento muito difícil nesse processo de retirada’.

O novo artigo, ela acrescentou, ‘fala sobre o quão difícil é levar essa informação ao mundo clínico. Nós, leigos, temos dito isso há muito tempo, e está dizendo que os psiquiatras precisaram eles próprios experimentar o processo de desmame para que essa informação fosse finalmente ouvida’”.

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Para ler o artigo na íntegra, clique aqui →

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