Antidepressivos Não São Superiores à Psicoterapia para a Depressão Severa

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Em 23 de setembro de 2015, a JAMA Psychiatry publicou uma meta-análise comparando os resultados da terapia cognitivo-comportamental e medicação antidepressiva em populações gravemente deprimidas.  Atualmente, muitas orientações práticas sugerem que os antidepressivos sejam utilizados ao invés de psicoterapia para grandes transtornos depressivos. A análise, contudo, constatou que “os pacientes com depressão mais grave não eram mais propensos a necessitar de medicamentos para melhorar do que os pacientes com depressão menos grave”.

Nas suas diretrizes para o tratamento da depressão, tanto a Associação Psiquiátrica Americana (APA) como a Associação Britânica de Psicofarmacologia sugerem que enquanto “a psicoterapia é suficiente para tratar a depressão leve, os medicamentos antidepressivos (devem ser utilizados para tratar a depressão grave no contexto de transtorno depressivo grave”.  Estas diretrizes baseiam-se em grande parte nos resultados de um ensaio de controle randomizado conduzido pela NIMH.  No entanto, esta última meta-análise revela que a diferença nos resultados do tratamento observada nos ensaios NIMH “não foram observados em vários outros ensaios clínicos randomizados de tratamento na fase aguda”.

Enquanto as meta-análises anteriores tentaram comparar o uso de antidepressivos e terapia cognitivo-comportamental para depressão, o último estudo é único na medida em que os investigadores foram capazes de obter dados ao nível do paciente, dando ao estudo “mais poder para examinar com precisão moderadores de resultados de tratamento”.  Os investigadores reviram 16 estudos que forneceram dados individuais a nível de pacientes e oito que não o fizeram.  No total, a amostra incluiu dados sobre 1.700 participantes.

Os resultados da análise não mostram diferenças significativas entre os antidepressivos e a terapia cognitivo-comportamental em resposta ao tratamento ou remissão em pacientes com depressão grave.  “No total, 63% dos doentes na condição de usuários de antidepressivos e 58% dos doentes na condição de terapia cognitivo-comportamental responderam ao tratamento, e 51% dos doentes na condição de usuários de antidepressivos e 47% dos doentes na condição de tratamento com terapia cognitivo-comportamental preencheram os critérios para a remissão”.

Os investigadores concluem que “os dados são insuficientes para recomendar o uso de antidepressivo ao invés de terapia cognitivo-comportamental em doentes se tratando em ambulatórios com base apenas na gravidade de base”. Sugerem também que a terapia cognitivo-comportamental pode ser utilizada como tratamento de primeira linha eficaz para pacientes gravemente deprimidos.

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Weitz ES, Hollon SD, Twisk J, et al. Baseline Depression Severity as Moderator of Depression Outcomes Between Cognitive Behavioral Therapy vs. Pharmacotherapy: An Individual Patient Data Meta-analysis. JAMA Psychiatry. Published online September 23, 2015. oi:10.1001/jamapsychiatry.2015.1516 (Full Text)