Interrupção de Antipsicóticos Melhora o Funcionamento Cognitivo

Nas pessoas com esquizofrenia, a interrupção dos antipsicóticos não piora o funcionamento cognitivo; em vez disso, pode realmente melhorar a cognição.

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Os investigadores encontraram mais provas de que o efeito anticolinérgico dos medicamentos psiquiátricos pode levar a deficiências cognitivas. Um estudo de pessoas com esquizofrenia avaliou a carga anticolinérgica dos seus medicamentos e comparou-a com o funcionamento cognitivo delas

“A carga dos medicamentos anticolinérgicos associados a drogas psicotrópicas na esquizofrenia é substancial, comum, e presente em múltiplas classes de drogas psiquiátricas, incluindo os antipsicóticos”, escrevem os investigadores.

Esse estudo foi publicado no American Journal of Psychiatry, sob coordenação de Yash B. Joshi na Universidade da Califórnia, San Diego.

Os investigadores incluíram 1.120 pacientes, todos eles com diagnóstico de esquizofrenia ou transtorno esquizo-afetivo. Eles utilizaram o instrumento carga cognitiva do anticolinérgico [Anticholinergic Cognitive Burden] (ACB) para medir a que quantidade de carga anticolinérgica que os participantes foram submetidos. Os medicamentos com um efeito anticolinérgico baixo ou mínimo foram classificados como 1, os com um efeito médio foram classificados como 2, os com efeito forte foram considerados como sendo 3. Todos os medicamentos que uma pessoa estava tomando foram somados para produzir um único número.

A carga média anticolinérgica para os participantes no estudo foi de 3,8. Vinte e cinco por cento dos participantes tiveram uma pontuação de pelo menos 6. Em média, cada participante esteva consumindo dois medicamentos antipsicóticos diferentes.

Os investigadores descobriram que a carga anticolinérgica esteva significativamente associada a um menor desempenho cognitivo em todos os domínios da Bateria Neurocognitiva Computorizada Penn (PCNB), bem como em outras medidas cognitivas. Os investigadores controlaram uma série de outros fatores e descobriram que os seus resultados ainda eram robustos.

Os autores citam dados de um estudo que incluiu adultos saudáveis que descobriram que uma pontuação ACB de 3 estando ligada a uma deficiência cognitiva e a um risco 50% maior para o desenvolvimento de demência.

“Tais pontuações não são difíceis de serem alcançadas nos cuidados psiquiátricos de rotina. Por exemplo, um paciente para quem é prescrita diariamente olanzapina para sintomas de psicose teria uma pontuação ACB de 3; se a hidroxizina também for prescrita para ansiedade ou insônia, a pontuação ACB do paciente subirá para 6,” escrevem eles.

Outros estudos também descobriram que a deficiência cognitiva pode ser causada por medicamentos psiquiátricos, particularmente aqueles com um elevado efeito anticolinérgico. De fato, os estudos descobriram que a cognição melhora efetivamente quando uma pessoa interrompe o tratamento com fármacos.

Os autores sugerem que “os esforços para limitar ou evitar a carga excessiva de medicamentos anticolinérgicos – independentemente da fonte – podem ter um impacto benéfico nos resultados cognitivos na esquizofrenia.”

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Joshi, Y. B., Thomas, M. L., Braff, D. L., Green, M. F., Gur, R. C., Gur,  R. E., . . . & Light, G. A. (2021). Anticholinergic medication burden–associated cognitive impairment in schizophrenia. American Journal of Psychiatry. Published Online 14 May 2021. https://doi.org/10.1176/appi.ajp.2020.20081212 (Link)

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Peter Simons
Peter Simons MIA-UMB News Team: Peter Simons tem formação em ciências humanas onde estudou inglês, filosofia e arte. Agora está em seu doutorado em Psicologia de Aconselhamento, sua pesquisa recente tem se concentrado em conflitos de interesse na literatura de pesquisa psicofarmacêutica, o uso de medicamentos antipsicóticos no tratamento da depressão, e as implicações filosóficas e sociopolíticas gerais da taxonomia psiquiátrica no diagnóstico e tratamento.