Exercício Físico associado a 25% de menor risco de depressão, dizem os pesquisadores

Uma nova meta-análise na JAMA Psychiatry conclui que o equivalente a apenas duas horas e meia de caminhada rápida reduzem 25 % o risco de depressão.

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Aqueles que atingiram o nível recomendado de atividade física por semana tiveram um risco 25% menor de depressão, de acordo com uma nova meta-análise. Com base em seus dados, os pesquisadores escrevem que 1 em cada 9 casos de depressão poderia ser prevenido através de exercício.

Mesmo um pouco de exercício ajuda, os pesquisadores escrevem, porque aqueles que atingiram a metade do nível recomendado de atividade física por semana ainda tiveram um risco 18% menor de depressão.

O estudo foi conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores e publicado na revista de psiquiatria de alto nível JAMA Psychiatry. Os autores escrevem:

“Esta revisão sistemática e meta-análise das associações entre atividade física e depressão sugerem benefícios significativos para a saúde mental por estar fisicamente ativo, mesmo em níveis abaixo das recomendações de saúde pública”.

O estudo foi uma meta-análise, combinando os dados de 15 estudos anteriores sobre exercício físico e depressão. No total, seus dados incluíam 191.130 participantes de vários países.

Os estudos incluíram vários anos de acompanhamento, para que os pesquisadores pudessem determinar o nível de atividade física antes do diagnóstico de depressão – o que ajuda a esclarecer se o exercício tem um papel causal a desempenhar.

Especificamente, eles descobriram que “um volume de atividade equivalente a 2,5 horas de caminhada rápida por semana estava associado a um risco 25% menor de depressão, e na metade dessa dose o risco era 18% menor em comparação com a ausência de atividade. Somente pequenos benefícios adicionais foram observados em níveis de atividade mais altos”.

Ou seja, mais exercício e exercícios mais vigorosos podem ser desnecessários para este benefício em particular. Apenas um par de horas de caminhada por semana parece suficiente para prevenir a depressão em alguns casos.

A atividade física também tem sidoi considerada eficaz como um tratamento para a depressão. Por exemplo, um estudo descobriu que aqueles que foram designados aleatoriamente para fazer exercício tiveram o mesmo nível de melhora aos quatro meses, e menores taxas de recaídas aos dez meses, comparados com aqueles que tomaram antidepressivos. De acordo com outro estudo, a combinação de exercício físico e meditação pode ser particularmente útil.

Um estudo com adultos mais velhos também descobriu que a atividade física ajudou a prevenir a depressão. Esse mesmo benefício também foi encontrado em um estudo envolvendo crianças.

E em uma meta-análise de 2016, outros pesquisadores descobriram que o exercício físico preenchia os critérios para ser considerado um tratamento baseado em evidências para a depressão. De fato, as diretrizes do NICE do Reino Unido para o tratamento da depressão menos grave recomendam o exercício após a terapia cognitiva comportamental, mas antes de começar a fazer uso de antidepressivos (na verdade, essas diretrizes observam explicitamente que os antidepressivos não devem ser usados rotineiramente para a depressão menos grave).

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Pearce, M., Garcia, L., Abbas, A., Strain, T., Schuch, F. B., Golubic, R., . . . & Woodcock, J. (2022). Association between physical activity and risk of depression: A systematic review and meta-analysis. JAMA Psychiatry, 79(6), 550-559. doi:10.1001/jamapsychiatry.2022.0609 (Link)