O manejo das disfunções sexuais femininas induzidas pelo uso de antidepressivos

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O artigo busca trabalhar de forma objetiva, investigando o manejo das disfunções sexuais induzidas pelos antidepressivos. Antidepressivos esses que representam o tratamento farmacológico de primeira escolha para algumas doenças psiquiátricas, que podem apresentar efeitos adversos que levam às disfunções sexuais, comprometendo a libido ou a performance sexual das mulheres.

A expressão da sexualidade feminina comporta aspectos fisiológicos, sociológicos e comportamentais e manifesta-se como desejo e fantasias canalizadas para a obtenção de prazer sexual e satisfação. O conceito global de saúde adota a saúde sexual como um dos componentes para se alcançar o bem-estar geral e qualidade de vida. No entanto, é verificado que muitas mulheres apresentam queixas e dificuldades sexuais que repercutem na saúde mental. Por outro lado, fármacos empregados no tratamento de doenças psiquiátricas impactam negativamente na sexualidade. Demonstrando assim a ligação do tema das disfunções sexuais induzidas pelos antidepressivos.

O artigo menciona que a depressão é uma doença psiquiátrica crônica que tem como sintomas: tristeza profunda, perda de interesse, ausência de ânimo e oscilações de humor, decorrentes de alterações químicas no cérebro, principalmente com relação aos neurotransmissores: serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, a dopamina. Entretanto, percebe-se que são apontamentos de causas biológicas, mas estudos clínicos concluíram repetidas vezes que o papel da serotonina na depressão tem sido exagerado, como aponta a revisão da literatura realizada por Joanna Moncrieff na University College London que não foram encontradas evidencias convincentes que apontam os níveis baixos de serotonina ou da atividade desse neurotransmissor que seriam responsáveis por esta condição mental.

 Aproximadamente 5% da população é diagnosticada com depressão e, a partir da adolescência, as mulheres demonstram uma prevalência maior do que os homens, em torno de duas mulheres para cada homem. Os eventos da vida da mulher relacionados ao ciclo menstrual, ao puerpério e à menopausa são momentos de vulnerabilidade e pode acarretar num diagnóstico de depressão.

Acredita-se que a depressão é um fator independente que pode contribuir para a presença de disfunção sexual em mulheres. Por outro lado, os antidepressivos, que representam o tratamento farmacológico de primeira escolha para doenças psiquiátricas, podem apresentar efeitos adversos que levam às disfunções sexuais: com realce para o transtorno do desejo sexual hipoativo e anorgasmia (dificuldade para atingir o ápice). Os efeitos colaterais relacionados à sexualidade advindos desses fármacos tendem a ocorrer nas primeiras 3 semanas de tratamento antes que o benefício sobre o humor seja obtido, arriscando assim a descontinuação precoce.

Os antidepressivos são psicofármacos que estão relacionados com a disfunção sexual feminina em consequência de seus efeitos de atuação e colaterais. Sabe-se que, enquanto a dopamina melhora a função sexual, a serotonina inibe o desejo e o orgasmo. Dessa forma, entende-se que as drogas com o mecanismo de ação serotoninérgica têm maior potencial para causar disfunção sexual feminina.

Os principais mecanismos postulados pelos quais os psicotrópicos causam disfunção sexual são: O desinteresse sexual, a diminuição do desejo, dificuldades na excitação e orgasmo, são efeitos periféricos que ocasionam dificuldade no orgasmo, efeitos hormonais como o aumento na secreção de prolactina secundário ao bloqueio dopaminérgico. Naturalmente, algumas medicações podem apresentar múltiplos efeitos e suas manifestações serem variáveis

O artigo destaca a ação dos antidepressivos, que com base em pesquisas contemporâneas, a patogênese dos distúrbios sexuais é atribuída a um desequilíbrio nas vias excitatórias centrais e inibitórias. Onde demonstra também o principal desafio no desenvolvimento de novos tratamentos para a disfunção sexual.

A disfunção sexual pode acontecer em decorrência do uso de todas as classes de antidepressivos. Antidepressivos esses que aumentam a função serotoninérgica sendo negativos nas três fases, sendo essas o ciclo sexual, desejo sexual, excitação e orgasmo. Tendo associação tento no tratamento inicial da depressão e ansiedade quanto na terapia de manutenção de longo prazo.

Algumas abordagens recomendadas para o manejo da disfunção sexual induzida por antidepressivos incluem o seguinte: aguardar a melhora espontânea dos efeitos colaterais, reduzir a dose da droga, fazer um intervalo ou promover uma suspensão temporária de drogas (“drug holiday”), mudar para um medicamento antidepressivo diferente com menos efeitos colaterais ou adicionar uma terapia sintomática.

A associação das estratégias farmacológicas e não farmacológicas pode minimizar os prejuízos. Dessa forma, algumas opções são: diminuir a dose, combinar com atividade física, investimento erótico, terapias de apoio psicossocial e controle emocional.

Artigo criado por: Maria Isadora de Campos Lico, Carolina Braga, Vitoria Zonato Carlin Vicente, Jeane Nunes Belo e Márcia Cristina Terra de Siqueira Peres.

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Lico, M. I. de C., Braga, C., Vicente, V. Z. C., Belo, J. N., & Peres, M. C. T. de S. (2023). O manejo das disfunções sexuais femininas induzidas pelo uso de antidepressivos. Brazilian Journal of Health Review6(3), 9299–9318. (Link)