Roberto Tykanori: “Pacientes voltarão a ter suas vidas reduzidas a pacotes de sintomas que precisam ser controlados para o interesse de terceiros”

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Em entrevista publicada em VIOMUNDO, Robert Tykanori, ex-Coordenador Geral de Saúde Mental, denuncia os retrocessos propostos pelos atuais ocupantes do Ministério da Saúde.

Tykanori foi secretário de Saúde de Santos, litoral paulista, a primeira cidade do País sem manicômio. Foi também o último coordenador-geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, do Mintério da Saúde, com essa visão. E atualmente, é médico da Prefeitura Municipal de Santos e professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Nesta quinta -feira (14/12), o Ministério da Saúde submete a gestores municipais, estaduais e federais alterações na política nacional de saúde mental. Será durante reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), da qual participarão o coordenador-geral de Saúde Mental, o médico Quirino Cordeiro Júnior, e o ministro Ricardo Barros. As propostas de Quirino são uma volta ao tenebroso passado dos hospitais psiquiátricos e contra o qual o colega que ocupou o seu cargo de 2011-2015, Roberto Tykanori, luta desde os anos 1980, quando ainda era estudante de Medicina.

Tykanori

“O modelo proposto – ambulatório + hospital psiquiátrico – é o retorno dos interesses financeiros do setor privado que se sobrepõem à busca de uma qualidade de vida melhor aos mais vulneráveis. Propagam o ‘sonho elusivo das curas mágicas’ embaladas em caixinhas bem desenvolvidas por marqueteiros e bulas com palavras incompreensíveis aos leigos, em letras minúsculas, como se isso as tornassem científicas…

“Existem novas abordagens sem medicamentos, chamadas de Diálogos Abertos (open dialogs). Existe em vários países o renascimento  do modelo do Projeto Soteria (http://www.moshersoteria.com), desenvolvido  pelo psiquiatra americano Lorenz Mosher, que demonstrou que, a longo prazo, cuidados sem medicação são mais eficazes do que com remédios. Mosher foi diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental Americano NIMH/DHS, fundador da revista Shizophrenia Bulletin, da qual foi editor por   mais de uma década. Porém, após essas pesquisas, foi colocado em ostracismo perene. Nesta história, a reforma italiana que sempre foi um marco. Recentemente, fechou o seu último manicômio judiciário. Agora, há uma proposta de modificação da lei para avançar na garantia de mais mecanismos de sustentação dos direitos e da vida em sociedade. ”

Leia a entrevista na íntegra  →

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