Nova Metanálise das Intervenções com Mindfulness para Transtornos Psiquiátricos

Uma meta-análise de intervenções baseadas na mindfulness mostra eficácia no tratamento da depressão, dor física, tabagismo e transtornos aditivos.

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jjanzeUm novo estudo, publicado na Clinical Psychology Review, investiga os efeitos das Intervenções Baseadas no Mindfulness (MBI – Mindfulness-Based Interventions) nos transtornos psiquiátricos. Os resultados da primeira meta-análise abrangente do seu tipo encontraram evidências consistentes de que a ‘atenção plena’ (mindfullness) é eficaz para a depressão, condições de dor, tabagismo e transtornos de dependência em geral. Esta pesquisa apoia ainda uma compreensão contínua dos MBIs como um tratamento alternativo eficaz e viável.

“No nível mais básico, nossos resultados sugerem haver uma base empírica para terapias baseadas em mindfulness”, escrevem os pesquisadores, liderados por Simon B. Goldberg. “Os tratamentos de mindfulness mostraram, em geral, ser de potência similar às intervenções psicológicas (e psiquiátricas) de primeira linha quando comparados diretamente e superiores a outras condições de comparação ativa (bem como condições de controle na lista de espera), com relativamente pouca variação entre os distúrbios. “

Photo Credit: Flickr
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Intervenções baseadas em mindfulness (MBI), como Mindfulness Based Stress Reeducation[i] (MBSR) e Mindfulness Based Cognitive Therapy [ii] (MBCT) são distinguidas no campo emergente do mindfulness com relação a outras práticas de mindfulness como Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e Terapia Comportamental Dialética (DBT).  A distinção é feita pela ênfase da MBI em um foco sustentado pela prática de meditação da ‘atenção plena’ – um componente da prática em casa – e uma exigência de um professor experiente em ‘atenção plena’, entre outras características-chave.

A pesquisa da ‘atenção plena’ tomou grandes dimensões nas últimas décadas, ganhando relevância em vários campos acadêmicos a partir de sua virtual inexistência nos anos 80. A pesquisa permanece em sua infância 30 anos depois, enfrentando desafios como a dosagem necessária, a fidelidade da implementação e como a prática será transferida para atender às necessidades de vários ambientes e populações.

Como acontece com a maioria dos assuntos quando recém-desenvolvidos, a popularidade na comunidade superou a base de evidências para MBIs. Alguns Críticos levantaram questões importantes sobre a base de evidências que destacam o uso de condições de controle não-ativo em ensaios clínicos randomizados (ECRs). Outros enfatizaram que os estudos relataram seletivamente resultados positivos de MBIs, introduzindo viés e falsa eficácia no campo e criando uma base insegura para futuras pesquisas.

Na primeira metanálise abrangente de MBIs para examinar efeitos sobre sintomas específicos de transtornos em condições psiquiátricas, Goldberg e sua equipe revisaram 171 estudos envolvendo mais de 12.000 participantes entre 2000 e 2016. Os autores incluíram todos os ECRs de MBIs envolvendo populações adultas com transtornos psiquiátricos com diagnóstico formal.

“Embora outras meta-análises abrangentes tenham sugerido que intervenções baseadas em mindfulness podem ter impactos nos clínicos, e várias metanálises tenham examinado as evidências para condições psiquiátricas específicas, nenhuma revisão meta-analítica abrangente publicada examinou os efeitos sobre sintomas específicos de transtornos psiquiátricos.”

No pós-tratamento, a meta-análise de Goldberg e sua equipe descobriu que as MBIs têm efeitos superiores nos resultados para a ansiedade, depressão, dor física, esquizofrenia, e para distúrbios relacionados ao peso / alimentação e vícios. Os MBIs foram superiores aos grupos de comparação para depressão e dependência, e equivalentes para grupos de comparação de ansiedade, dor física e peso / transtornos relacionados à alimentação.

“A magnitude dos tamanhos de efeito detectados no estudo atual (por exemplo, d = 0,55 para mindfulness versus nenhuma condição de comparação de tratamento no pós-tratamento) sugere que as intervenções baseadas em mindfulness estão, em média, associadas a quedas moderadas nos sintomas psiquiátricos.”

 “Com base em nossas descobertas, parece que a recomendação mais forte pode ser feita para tratamentos de mindfulness para depressão, com evidências que também apoiam o uso de mindfulness para tratamento de condições de dor, tabagismo e transtornos aditivos.”

O exame abrangente deste estudo de MBIs é um desenvolvimento importante no crescente campo da mindfulness. À medida que essa abordagem mente-corpo para a saúde mental e física se expande para atender a um número crescente de pessoas, estudos como esse fornecem integridade e estabilidade ao campo. A ‘atenção plena’ (mindfulness) fornece uma alternativa às abordagens biomédicas, que podem não ser as mais adequadas para todas as pessoas que sofrem de distúrbios psiquiátricos. Entender a eficácia das MBIs permite que o campo reconheça as direções futuras e forneça uma perspectiva encorajadora para os provedores de saúde mental e médica.

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Goldberg, S. B., Tucker, R. P., Greene, P. A., Davidson, R. J., Wampold, B. E., Kearney, D. J., & Simpson, T. L. (2017). Mindfulness-based interventions for psychiatric disorders: A systematic review and meta-analysis. Clinical psychology review(Link)

 

Notas da redação do MIB:

[i] Mindfulness Based Stress Reeducation = Reeducação do Stress baseada no Mindfulness. Para ter uma visão geral, clique aqui.

[ii] Mindfulness Based Cognitive Therapy = Terapia Cognitiva baseada no Mindfulness. Para ter uma visão geral, clique aqui.

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Jessica Janze
Jessica Janze é aluna de doutorado no programa de Aconselhamento e Psicologia Escolar da Universidade de Massachusetts, Boston. Ela tem um mestrado em aconselhamento psicológico e trabalhou principalmente com crianças afetadas por traumas psicológicos. Os interesses de pesquisa de Jessica incluem o impacto da atenção plena na educação infantil, na regulação emocional e no papel que as práticas contemplativas desempenham na saúde mental.

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