Alternativas ao “modelo biomédico” da Psiquiatria

3 Seminário A Epidemia das Drogas Psiquiátricas

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O 3 Seminário Internacional A EPIDEMIA DAS DROGAS PSIQUIÁTRICAS foi um êxito. Neste ano foram dois os principais focos: alternativas ao diagnóstico psiquiátrico e alternativas ao tratamento psicofarmacológico.

O diagnóstico psiquiátrico e o tratamento psicofarmacológico são os dois pilares que sustentam o modelo “biomédico” da Psiquiatria. Uma falácia científica dominante na assistência em saúde mental. Um modelo para dar conta da saúde mental e que produz resultados práticos nefastos para a maioria dos seus usuários, sejam os profissionais de saúde, sejam principalmente os próprios pacientes.

Você pode ter acesso ao conteúdo de todo o Seminário no Youtube.

Aqui eu coloco como destaque o que Lucy Johnstone (Reino Unido) e Peter Groot (Holanda) trouxeram para nós. No final desta matéria há links para que você possa baixar os vídeos das suas intervenções. As intervenções de Lucy Johnstone e de Peter Groot merecem destaque pelas inovações que tanto um quanto o outro propõem.

E é importante que você leia esta Declaração. Trata-se de uma proposta encaminhada ao final do Evento, para que seja divulgada e discutida.  Participe, comentando e enviando sugestões e/ou reformulações.  O Documento é apenas uma referência para abrir o debate entre nós. Seu propósito é que reorientemos a política da assistência em saúde mental em nosso país. Divulge o conteúdo deste Documento e ponha-o em discussão.

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DECLARAÇÃO 

3 SEMINÁRIO INTERNACIONAL A EPIDEMIA DAS DROGAS PSIQUIÁTRICAS

Considerando que:

  • O direito à saúde mental é um direito inclusivo, entendido como sendo não apenas com referência à qualidade dos serviços hoje disponibilizados.
  • Que as chamadas ‘boa saúde mental’ e o ‘bem-estar’ não podem ser definidas pela ausência de algum sintoma, mas pelas condições estruturais da sociedade, tais como o ambiente social, psicossocial, político, econômico e físico, na medida que possibilitem que indivíduos e populações vivam uma vida de dignidade, com pleno gozo de seus direitos e em busca equitativa de seu potencial.
  • Que os serviços de saúde mental sofrem de um foco excessivo em abordagens ultrapassadas, através das quais a maioria dos recursos é alocada ao tratamento individual para condições diagnosticadas de saúde mental, incluindo medicamentos psicotrópicos e cuidados institucionais. E que esse desequilíbrio continua a reforçar uma lacuna de equidade, evidência e implementação.

Participantes reunidos no 3 Seminário Internacional A Epidemia das Drogas Psiquiátricas,realizado na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/FIOCRUZ), nos dias 29, 30 e 31 de Outubro de 2019, propõem às seguintes recomendações:

  1. O fortalecimento das iniciativas nacionais e internacionais para a implementação de alternativas seguras e eficazes ao ‘modelo biomédico’ da Psiquiatria hoje dominante na assistência em saúde mental.
  2. O remodelamento das orientações clínicas e das condições para que tais orientações sejam seguidas.
  3. O aprimoramento das informações para os pacientes e os trabalhadores em saúde mental a respeito das drogas psiquiátricas prescritas, e a criação de meios para tornar possível o ‘informe consentido e esclarecido’ e a tomada de ‘decisões compartilhadas’ por clínicos e pacientes.
  4. O aprimoramento do suporte disponível no sistema assistencial para pacientes que sofrem com a dependência química ou com a retirada das drogas prescritas. O fortalecimento dos movimentos de usuários e de ex-usuários e o reconhecimento que a sua participação ativa é essencial para o êxito seja das prestações de serviço, formulação de políticas de saúde mental, pesquisa, seja para o próprio ensino dos profissionais de saúde mental.
  5. A criação e o fortalecimento de meios de interação para a formação de uma comunidade latino-americana e internacional comprometida com a construção de alternativas de assistência que garantam melhores condições de saúde mental para todos.

Alternativas ao “tratamento psicofarmacológico”: as “tiras de afunilamento”. Palestra de Peter Groot.

Alternativas ao DSM/CID.  O documento oficial da Divisão Clínica da Sociedade Britânica de Psicologia. Palestra de Lucy Johnstone.

A mesa-redonda a respeito dos paradigmas “biomédico” da Psiquiatria e “atenção psicossocial”.

5 COMENTÁRIOS

  1. Acredito que um passo inicial importante seria sensibilizar os o Estado, a exemplo do que tem ocorrido no Reino Unido.
    A partir de vasta referência bibliográfica sobre os prejuízos inerentes às prescrições não criteriosas de psicotrópicos, o ministério da saúde poderia por exemplo emitir recomendações aos médicos.
    Outro ponto importante seria implementar serviços pilotos para retirada de drogas. Serviriam também para que fossem realizadas pesquisas concomitantes.
    Sobre as tiras de afunilamento, caso não sejam viáveis, poderíamos pensar em alternativas, como aquelas no site de Laura Delano. Apesar de Peter ter se mostrado um pouco contra, ainda acho que deveríamos pesquisar mais sobre a redução de doses baseada na meia vida do medicamento (ao invés de diminuir doses, aumentar intervalos…).
    Sobre os diagnósticos, vale muito a pena aprofundados o estudo da trajetória de trabalho de Lucy. Associei muito seu trabalho ao que Freud fez, partindo do trauma até finalmente incluir o sujeito.
    Hoje temos em nosso repertório a Gestão Autônoma da Medicação (GAM). Estaríamos criando a Gestão Autônoma do Diagnóstico?
    Parabéns à equipe pelo Encontro!!!

  2. Quero parabenizar aos organizadores e aos componentes das mesas pelo maravilho seminário.
    Sou assistente social recém formada e fiz estágio no Instituto Nise da Silveira, onde fui “mordida pelo bichinho” da saúde mental.
    Foi muito enriquecedor para mim uma vez que na graduação de Serviço Social não tive nada de saúde mental.
    Muito obrigada!
    Avante!

    Fernanda Orsini 🙋🏻‍

  3. Acredito que um passo inicial importante seria sensibilizar o Estado, a exemplo do que tem ocorrido no Reino Unido. A partir de vasta referência bibliográfica sobre os prejuízos inerentes às prescrições não criteriosas de psicotrópicos, o ministério da saúde poderia por exemplo emitir recomendações aos médicos.
    Outro ponto importante seria implementar serviços pilotos para retirada de drogas. Serviriam também para que fossem realizadas pesquisas concomitantes.
    Sobre as tiras de afunilamento, caso não sejam viáveis, poderíamos pensar em alternativas, como aquelas no site da Laura Delano. Apesar de Peter ter se mostrado um pouco contra, ainda acho que deveríamos pesquisar mais sobre a redução de doses baseadas na meia vida do medicamento (ao invés de diminuir doses, aumentar intervalos…).
    Sobre os diagnósticos, vale muito a pena aprofundarmos o estudo da trajetória do trabalho de Lucy. Associei muito seu trabalho ao que Freud fez, partindo do trauma até finalmente incluir o sujeito.
    Hoje temos em nosso repertório a Gestão Autônoma da Medicação (GAM). Estaríamos criando a Gestão Autônoma do Diagnóstico?
    Parabéns à equipe e participantes pelo encontro!!