“A Epidemia das Drogas Psiquiátricas” como Notícia Destaque da Revista Radis

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Publicado na revista Radis, uma cobertura do Seminário Internacional A Epidemia das Drogas Psiquiátricas, ocorrido entre os dias 30 e 01 de novembro de 2017, na ENSP/FIOCRUZ.  A matéria dá destaque à participação de três dos seus convidados internacionais, Robert Whitaker (USA), Laura Delano (USA), Jaakko Seikkula (Finlândia).

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Robert Whitaker mostra como recentes pesquisas mundialmente reconhecidas em psiquiatria contradizem o seu paradigma biomédico de tratamento das aflições psíquicas.  Como ele resumiu em seu livro Anatomia de uma Epidemia, publicado pela Editora Fiocruz, a Associação Psiquiátrica Americana (APA) adotou com o DSM-III, em 1980, um ‘modelo de doença’ para categorizar os transtornos mentais, e esse modelo foi exportado para o Brasil e para grande parte do mundo. Foi construída uma forte aliança entre os interesses corporativos da Psiquiatria e os interesses mercadológicos e financeiros da indústria farmacêutica. Essa aliança compromete fortemente a assistência em saúde mental, produzindo uma gigantesca epidemia de transtornos mentais e pacientes psiquiátricos.

Robert Whitaker 2

“As companhias farmacêuticas se encaixam no mercado. As sociedades pagam a conta coletivamente. Uma das razões para discutirmos esse tema é que as sociedades não têm mais como sustentar cada vez mais pessoas se incapacitando por depressão e outras doenças mentais”.  

É eloquente o relato feito por Laura Delano, jovem estadunidense que ainda na adolescência passou a ser vítima da Psiquiatria, após ser diagnosticada com ‘transtorno bipolar’, tornando-se paciente psiquiátrica ao longo de muitos anos, chegando mesmo a tomar 19 drogas psiquiátricas ao mesmo tempo. Como ela diz:

Laura Delano 1

 

“Não há muita coisa pior do que estar em uma ala psiquiátrica de segurança, sem nada que pareça familiar, sem suas coisas, sem poder dar opinião sobre sua vida”.

O diagnóstico psiquiátrico irá marcar definitivamente a sua vida. Laura reconhece:

“Experimentei violações profundas. Fui percebendo que todos esses anos em que tentei ser ‘obediente’ tinham me privado da minha integridade corporal, da minha liberdade de expressão, de ar puro. Não se tratava de cuidado, mas de controle”.

Como testemunho da viabilidade de abordagens desmedicalizantes, há que se destacar a participação no Seminário do psicólogo Jaakko Seikkula, professor do Departamento de Psicologia da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia. Seikkula é um dos idealizadores e líderes da abordagem do Diálogo-Aberto, uma experiência na região finlandesa da Lapônia Ocidental que é reconhecida mundialmente como aquela com melhores resultados no mundo ocidental no tratamento da psicose aguda e de outros transtornos psiquiátricos. Seikkula deu uma entrevista aos jornalistas da Radis onde os principais princípios do Diálogo-Aberto são apresentados e explicados.

Jaakko _1“Diálogo Aberto é uma abordagem que reorganiza os serviços do cuidado psiquiátrico, incluindo alguns elementos. Antes de tudo, o sistema de cuidado é reorganizado de maneira que se torne possível que sejam gerados encontros de diálogos. Assim, as vozes das pessoas são escutadas, e quando as escolhas das pessoas são ouvidas elas realmente se tornam capazes de mobilizar todos os recursos para lidar com as situações críticas da vida. A ideia de Diálogo Aberto também pressupõe que o sistema seja organizado de maneira que você garanta socorro imediato no momento de crise, para que a pessoa não precise esperar para encontrar os profissionais nas reuniões terapêuticas nesse momento de muita gravidade.”

Contando também com a participação de convidados latino-americanos que vieram compartilhar as suas experiências de Reforma Psiquiátrica, o Seminário Internacional traz um conjunto de desafios para todos nós. Como destaca Robert Whitaker:

“Precisamos nos informar na literatura científica acerca de resultados a longo prazo. Em outras palavras, precisamos ter uma discussão científica honesta. Se pudermos ter essa discussão, uma mudança certamente se seguirá. Nossa sociedade se disporia a abraçar e promover formas alternativas de tratamento não medicamentosos. Os médicos receitariam os remédios de maneira muito mais restrita e cautelosa. Em suma, nossa ilusão social sobre uma revolução da ´psicofarmacologia´ poderia enfim se dissipar e a ciência de bases sólidas poderia iluminar o caminho para um futuro muito melhor”.

Leia clicando aqui a matéria na íntegra.

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