8 Anos de Pesquisa em Saúde Mental Apresentados em 4 Infográficos

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Imagens valem mais que mil palavras. Elas podem refinar montanhas de detalhes em compreensões essenciais. Então eu escolhi fotos para extrair o essencial da enorme quantidade de pesquisas sobre saúde mental que eu examinei nos últimos oito anos. Três infográficos resumem essa pesquisa sobre drogas psiquiátricas, e um outro afirma por que penso que a Saúde Mental Integrativa é o melhor caminho disponível para a recuperação da saúde mental.

Primeiro, antidepressivos

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O FDA [1] e meta-análises [2] nos dizem que a vantagem dos antidepressivos sobre o placebo no tratamento da depressão é muito pequena; tão pequena, na verdade, que a maioria das pessoas não pode distinguir a diferença. Para ganhar esta pequena vantagem, as pessoas devem aceitar os efeitos colaterais, os riscos e as limitações dos antidepressivos e que podem ser significativos. Ainda mais surpreendente, em níveis de sintoma mais leves – representando cerca de 85% das pessoas que tomam essas drogas para depressão – os antidepressivos não têm vantagem sobre o placebo [3].

Em segundo lugar, antipsicóticos.

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Para muitas pessoas, os antipsicóticos reduzem a psicose. No entanto, menos de um quarto daqueles com psicose crônica percebem uma redução de menos de 50% nos sintomas, ao usar antpsicóticos. [4] E esse alívio parcial dos sintomas geralmente vem acompanhado por efeitos colaterais que alteram a vida. Além disso, a evidência sugere que os antipsicóticos podem causar mais danos do que bem a longo prazo. [5]

Finalmente, os benzodiazepínicos.

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Os benzodiazepínicos podem reduzir a ansiedade, muitas vezes rapidamente. Mas as diretrizes de prescrição dizem que seu uso deve ser restrito a durações muito curtas. Há uma boa razão para tal orientação: o significativo declínio cognitivo e o potencial fatal com a brusca retirada, fazem com que essa solução seja questionável quando além da ansiedade episódica.

Medicamentos psiquiátricos, em um contexto mais amplo

Essas informações exibem uma realidade preocupante das drogas psiquiátricas. Não é surpreendente que a maioria carregue o aviso mais rigoroso da FDA: uma caixa preta. Mas há outra realidade: algumas pessoas acham indispensáveis tais medicamentos.

A ficha caiu para mim no outono passado durante a Reunião da Associação de Reabilitação Psiquiátrica de Massachusetts. Depois de apresentar esses infográficos, recebi observações de reconhecimento, já que as pessoas estavam conseguindo ver em números a sua própria experiência. Mas no intervalo, um especialista em apoio a pares (trabalho de mútua-ajuda) falou comigo. “Eu tenho estado em Clozapina há anos”, disse ela. “É o único que funciona para mim. É o que me permite fazer o meu trabalho “.

Portanto, esses infográficos não sugerem um êxodo em massa de drogas. Em vez disso, eles sugerem o exercício de cautela informada se você optar por usá-las. Os perfis de risco / recompensa desses medicamentos são muito mais questionáveis do que a prescrição onipresente pode indicar.

O infográfico contém outra mensagem: procure além das drogas por outras abordagens que abram mais caminhos para a recuperação. Felizmente, muitas dessas opções existem.

Saúde mental integrativa e a rede de causalidade

A Saúde Mental Integrativa é um paradigma emergente que fornece um conjunto diversificado de opções baseadas em evidências que incluem a medicação, embora vão muito mais além.

Ao contrário da psiquiatria convencional que se concentra nos sintomas e prescreve medicamentos para reduzi-los, os profissionais integrativos procuram compreender e tratar as causas que se situam por detrás dos sintomas. Eles examinam os marcadores de fatores biológicos, sociais, ambientais e habituais únicos para o indivíduo.

Eles veem esses fatores interagindo em uma rede dinâmica de causalidade. Algumas pessoas têm um fator que predomina fortemente. Outras sentem dificuldades sob o peso acumulado de muitas questões menores. E, às vezes, um estressor incremental menor pode ser a palha que quebra as costas do camelo e provoca uma crise de sofrimento mental.

Aqui está uma visão conceitual da rede de causalidade, destacando os fatores mostrados na pesquisa para estar associado com dificuldades mentais.

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Os profissionais integrativos realizam testes biomédicos, avaliação psicossocial e avaliam a história pessoal para entender essa teia. Eles abordam fatores causais suspeitos, selecionando a partir de um menu de 27 opções em evidências baseadas em não-uso de drogas psiquiátricas. Estas incluem dieta, exercício, cuidados digestivos, práticas relaxantes, suplementos nutricionais, ervas, terapias psicológicas e muito e muito mais. Quase todas essas opções têm efeitos colaterais muito baixos ou não tem algum e podem ser usadas com drogas. Esta é uma boa notícia, uma vez que as drogas também podem ser parte da equação.

Em milhares de casos, essas intervenções personalizadas diminuíram significativamente os sintomas, permitindo que as doses de medicamentos e os efeitos colaterais associados diminuíssem muito. Em alguns casos, os sintomas são completamente eliminados sem drogas.

Embora a Saúde Mental Integrativa esteja demonstrando grande promessa, não é uma bala de prata. Não conhecemos todos os fatores que influenciam o sofrimento mental e não podemos dar plenamente conta de todos os que conhecemos. Muitas dessas opções também podem levar semanas ou meses para mostrar benefícios completos e nem sempre é fácil encontrar quem esteja qualificado para administrá-las

Mas há boas razões para ter esperança. As pessoas que vivem em recuperação afirmam esmagadoramente que uma combinação de abordagens foi necessária [6], e o número crescente de profissionais integrativos pode ajudá-los.

Mudança de consciência

Há um trabalho significativo a seguir se quisermos colher os benefícios da Saúde Mental Integrativa. Começa com a comunicação.

Devemos comunicar o perfil de risco / recompensa de drogas psiquiátricas, para que as pessoas saibam olhar além delas. Mas também devemos comunicar que algumas pessoas acham as drogas necessárias.

Devemos comunicar o menu completo das opções de recuperação disponíveis, para que as pessoas e seus profissionais possam criar o melhor caminho para a frente. Devemos comunicar as notáveis histórias de recuperação para dar esperança aos que estão em perigo. E devemos comunicar que a recuperação não é apenas possível, mas deve ser esperada.

Há muito o que comunicar.

Notas dos Infográficos:

Antidepressivos: link

Antipsicóticos: link

Benzodiazipínicos: link

Notas de pé de página:

  1. Laughren T, Treating Depression: Is there a placebo effect?, CBS News, 60 Minutes broadcast, 2012, https://goo.gl/ug78Av.
  2. Khan, A et al, Antidepressants versus placebo in major depression: an overview. World Psychiatry, 2015, PMCID: PMC4592645.
  3. Fournier JC et al, Antidepressant drug effects and depression severity: a patient-level meta-analysis. JAMA, 2010, PMCID: PMC3712503.
  4. Leucht S et al, Sixty Years of Placebo-Controlled Antipsychotic Drug Trials in Acute Schizophrenia: Systematic Review, Bayesian Meta-Analysis, and Meta-Regression of Efficacy Predictors, 2017, Amer J of Psychiatryhttps://goo.gl/bndxBq.
  5. Insel T, National Inst of Mental Health Director’s Blog: Antipsychotics: Taking the Long View, Aug 2013, http://goo.gl/LFmP0V.
  6. Duckworth K, Science Meets the Human Experience Integrating the Medical and Recovery Models, NAMI Advocate Magazine, Winter 2014, https://goo.gl/iF6EW

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