Retirada Súbita de Antipsicótico Leva à Recaída

Um novo artigo na Lancet Psychiatry discute estudos passados que afirmam que aqueles em baixas doses de antipsicóticos são mais propensos a recaídas.

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Uma metanálise recente afirmou que aqueles que estavam com uma dose menor de antipsicóticos eram mais propensos a recaídas do que aqueles que tomavam uma dose maior. Mas um novo artigo na Lancet Psychiatry discute essa afirmação. Os estudos originais quase todos começaram com a queda repentina da dose de medicamentos que os participantes já estavam tomando. Assim, a maior taxa de recaídas foi devido à retirada abrupta, não sendo pelo uso de dose menor.

O novo trabalho foi escrito por conhecidos pesquisadores psiquiátricos Mark Horowitz, Robin Murray e David Taylor.

Eles escrevem que “dos 24 ensaios examinados, 21 envolvem a troca de pacientes que já estavam estabilizados, com uma dose estável de medicamentos, por doses mais baixas, seja abruptamente ou em algumas semanas”.

De acordo com os pesquisadores, pode levar “meses ou anos para que se resolvam as neuroaptações à presença de antipsicóticos”. Eles dão o exemplo da discinesia tardia, um grave efeito de abstinência que pode persistir por anos após a descontinuidade dos medicamentos. Por causa disso, eles escrevem, uma rápida retirada de uma dose elevada da droga é susceptível de causar efeitos nocivos que são mal classificados como “recaída”.

“A metanálise de Højlund e colegas não leva em conta a possibilidade de que o próprio processo de redução de uma dose antipsicótica, e não um paciente simplesmente em uma dose menor, possa afetar as taxas de recaídas detectadas”, escrevem eles.

Os três ensaios que não retiraram subitamente os pacientes de uma dose mais alta não mostraram nenhuma diferença estatisticamente significativa nas taxas de recidivas entre os grupos. Apenas os estudos que apresentavam uma retirada abrupta e rápida encontraram o suposto efeito do aumento da recidiva no grupo de baixa dose.

Os pesquisadores também escrevem que os futuros estudos devem se concentrar em resultados centrados no paciente, como qualidade de vida e funcionamento social, e não em pequenos efeitos sobre as medidas de redução dos sintomas.

Esta descoberta se alinha com pesquisas anteriores sobre a retirada de medicamentos psiquiátricos, que documentam uma vasta gama de efeitos nocivos que podem durar meses ou anos.

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Horowitz, M. A., Murray, R. M., & Taylor, D. (2021). Withdrawal-associated relapse is a potential source of bias. Lancet Psychiatry, 8(9), 747-748. DOI: https://doi.org/10.1016/S2215-0366(21)00250-9 (Link)